quarta-feira, 16 de abril de 2008

Pagando a conta


Se alguma lição pode ser tirada da época em que os brasileiros foram obrigados a racionar energia elétrica, há seis anos atrás, é a consciência de que o desperdício, além de pesar no bolso, é o grande vilão da natureza. Apesar de uma maior preocupação nos condomínios, o descuido com relação ao consumo de energia elétrica ainda se faz presente.


Muitos síndicos ainda encontram resistência dos moradores para implementar mudanças. Nem todos aprovam os gastos com iluminação inteligente e outras iniciativas. O que muitos não sabem é que os sensores de presença, por exemplo, podem gerar economia de até 60%. E mais: o sistema, que utiliza infravermelho para acionar a iluminação ambiente, quando associado a lâmpadas eficientes (compactas ou eletrônicas), podem acarretar em redução do consumo de energia das partes comuns em até 80%.


Elevadores também são grandes vilões do consumo. Por isso, a diminuição do tempo de uso dos mesmos deve ser considerada. Dica: o síndico pode elaborar uma escala. Em um prédio com dois elevadores (social e de serviço), utiliza-se apenas um por vez. Conforme a conveniência dos moradores, expressa em assembléia-geral, será determinado o período de funcionamento dos equipamentos.


Mesmo nos condomínios que já substituíram suas lâmpadas comuns pelas econômicas, é possível obter redução do consumo, antecipando o desligamento da iluminação térrea. Por outro lado, pode-se prorrogar um pouco o horário de acendimento das luzes e acender menos circuitos de lâmpadas.


As áreas de lazer são responsáveis por grande parte do consumo de energia nos condomínios. A sauna é uma das campeãs, por isso recomenda-se estabelecer uso parcial, de acordo com o que tiver sido acordado em assembléia. Bombas de piscina, em condições normais, funcionam durante períodos mais longos do que o necessário para o tratamento da água. É bom ficar de olho.


Embora as pessoas não se dêem conta, o desperdício de água, em um condomínio, também está diretamente ligado ao consumo de energia elétrica. Isso porque, com o esvaziamento dos reservatórios superiores, torna-se necessário o acionamento freqüente da bomba de recalque para puxar água da cisterna. Aí a conta de luz sobe, com reflexo na cota condominial e no bom humor dos moradores.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Plutão na segunda divisão

Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e... Pois é, desfalcaram o Sistema Solar que aprendemos na escola. Plutão deixou de fazer parte da lista em 2006, depois que cientistas mal humorados descobriram ali perto outros corpos celestes de tamanho comparável ao dele e um outro, maior ainda, que ocupou seu posto e ganhou o nome de Éris.

Pior que isso, Plutão passou a ser chamado de planeta-anão. E foi incluído na categoria de objetos “trans-netunianos”. Ou seja: foi rebaixado. Está na segunda divisão do Sistema Solar. Fiquei me perguntando: será que os livros escolares de Ciências já introduziram a novidade? Porque eu não consigo imaginar a criançada decorando a ordem dos planetas, a partir do Sol, sem Plutão.

Porque ele pode até ser pequeno mas, caramba, faz a maior diferença. Sempre teve um quê de misterioso, uma coisa meio nebulosa e sedutora. O planeta mais distante do Sol excita a imaginação da gente. Será que é muito frio lá? Que cor será que ele tem? Como seria um ser plutoniano?

Confesso minha ignorância em assuntos de mitologia mas, diante de tamanha tristeza com o rebaixamento do astro, resolvi então pesquisar. Plutão era o nome de Hades, deus grego do submundo. Quando os três filhos de Cibele e Saturno fizeram a partilha do universo, Netuno ficou com os mares, Júpiter tomou posse do Olimpo e para Plutão sobraram os Infernos.

Donde se conclui que, mais do que nunca, o nome do planeta veio a calhar. Detalhe: o planeta-anão Éris, que derrubou Plutão, é homônimo da deusa grega da discórdia. Agora tudo faz sentido...

O DIU


Desde que comecei a me interessar pelos métodos anticoncepcionais – não que eu precisasse utilizá-los mas sempre fui muito curioso com os temas ligados à reprodução -, ainda na adolescência, um deles sempre me chamou a atenção: o DIU. Primeiro porque só tem três letras, segundo porque é esquisito pra caramba e terceiro porque deve doer no momento da introdução.


Sei lá por que mas eu sempre associei Dispositivo Intrauterino à mulher moderna. Acho que é por causa do nome, que é científico demais. E também porque a tia de uma prima minha, que era do Rio, portanto, mulher moderna (pelo menos para mim, um garoto do interior), fazia uso desse contraceptivo. A única pessoa que eu conheci que tinha o DIU dentro de si.


O que, de acordo com as minhas pesquisas, é uma contradição, já que o dispositivo é um dos métodos anticoncepcionais mais utilizados em todo o mundo: existem aproximadamente 100 milhões de usuárias. A China é a campeã, por que será? Para quem não conhece, o DIU é um objeto pequeno de plástico flexível, em forma de “T”, freqüentemente com revestimento ou fios de cobre.


Recomendável para mulheres com mais de 25 anos, o dispositivo, em linhas gerais, impede o movimento dos espermatozóides dentro do útero. É reversível e tem eficácia de quase 100%. A colocação é incômoda, de acordo com ginecologistas, e não é preciso ser muito esperto pra chegar a essa conclusão. Na rede privada, o custo varia de R$ 100 a R$ 600.


E o povo, como fica? De acordo com o Ministério da Saúde, o governo federal está dando mais atenção à saúde da mulher e ao planejamento familiar. Esclarecimentos sobre os métodos contraceptivos estão entre as prioridades. Recentemente, iniciou-se a campanha “Se cuide, filho não é brincadeira”, que terá cartazes e anúncios em revistas.


A intenção do Ministério é cumprir o compromisso firmado por Lula, de ampliação do acesso à informação e aos métodos contraceptivos disponíveis no SUS. Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde de 27 estados e capitais ficarão responsáveis por distribuir anticoncepcionais injetáveis, DIUs e diafragmas à população. Será?

terça-feira, 8 de abril de 2008

12 de outubro


Em 12 de outubro já se comemoram, há bastante tempo, o Dia de Nossa Senhora Aparecida e o aniversário da minha mãe. Agora é também Dia do Taxista, de acordo com a Lei estadual nº 5188, de 14 de janeiro de 2008. O autor é o deputado Domingos Brazão (PMDB), que, além da política, atua no ramo de venda de gás veicular e no varejo de combustível para veículos.

Os nomes das ruas 1: Almirante Barroso e Cardeal Leme


Resolvi dar um fim à minha ignorância urbana e comecei a pesquisar quem foram as pessoas que dão nome às ruas por onde eu ando aqui no Rio de Janeiro. Inicio com o meu local de trabalho, aqui na avenida Almirante Barroso. Afinal, quem foi Almirante Barroso?


De acordo com minhas pesquisas preliminares, Almirante Francisco Manuel Barroso da Silva foi um militar da Marinha Imperial brasileira. Nasceu em Lisboa, em 1804, e morreu em Montevidéu, em 1882. Atuou como o comandante que conduziu a Armada Brasileira à vitória na Batalha do Riachuelo, um momento importante da Guerra do Paraguai (1864 a 1870).


Barroso recebeu o título nobiliárquico de “barão do Amazonas” em 1866, em homenagem à nau que comandava na batalha do Riachuelo.
Já a rua onde eu moro, a Cardeal Dom Sebastião Leme, em Santa Teresa, é uma homenagem àquele que foi o segundo cardeal brasileiro. Dom Sebastião Leme da Silveira Cintra, que nasceu em Espírito Santo do Pinhal, em 1882, e morreu no Rio, em 1942, foi também Arcebispo de Olinda e Recife e Arcebispo do Rio.

Meus oito anos (Casimiro de Abreu)



Oh, que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais.

Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras,
A sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais.

Como são belos os dias
Do despontar da existência
Respira a alma inocência,
Como perfume a flor;

O mar é lago sereno,
O céu um manto azulado,
O mundo um sonho dourado,
A vida um hino de amor!

Que auroras, que sol, que vida
Que noites de melodia,
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar.

O céu bordado de estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!

Oh, dias de minha infância,
Oh, meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã.

Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã!

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Pés descalços, braços nus,
Correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas
Brincava à beira do mar!

Rezava as Ave Marias,
Achava o céu sempre lindo,
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!

Oh, que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais.

Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras,
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Tia Áurea e a mangueira


Se me perguntassem: “quando você volta no tempo, o que lhe vem à cabeça com mais nitidez?”, eu responderia: “minha tia Áurea e a mangueira enorme do quintal da casa dela”. A lembrança vem de Barra do Piraí, de anos idos há muito. Eu e meus primos crescemos cercados de verde, salpicado por flores, frutos, borboletas, beija-flores, enfim, coisas que não se vêem mais aqui na cidade grande.

Mas voltando ao assunto: lembro da tia Áurea, que já era assim, como hoje: de cabelos prateados presos em coque, camisa de botão curtinha, saia até os joelhos e sandalinha de couro preto fechada na frente. Por morarmos perto – e sermos andarilhos (naquele tempo criança andava sozinha perambulando pelos quintais da vizinhança) -, visitávamos a tia quase todos os dias.

Ela recitava Casimiro de Abreu, aquele poema lindo chamado “Meus oito anos”. Invariavelmente. Fizesse chuva ou sol. No quintal, na cozinha, na varanda (com a velha cadeira de balanço), qualquer local era adequado. Não importava a quantidade de sobrinhos na platéia. Muitas vezes ela recitou só pra mim, outras tantas recitou pra uma turma.

Não me lembro bem dos rostos dos outros – hoje todos na casa dos 30 anos – muito menos do meu, quando a ouvíamos. Mas me recordo da sensação como se fosse hoje. A doçura da voz dela, os cabelos prateados, a impostação que colocava na voz. E cada verso do poema. E a enorme mangueira apinhada de frutos no quintal da casa, que ficava repleta de lagartixas (taruíras, para ela) ao cair da tarde.

Porque além do Casimiro de Abreu, tia Áurea era apreciadora de mangas. A mangueira tinha a maior copa que eu já conheci, o tronco era marrom-muito-escuro, e havia muitas, muitas mangas rosas. Grandes e suculentas. Doces. E a tia, depois de recitar, nos levava para o banco que ficava embaixo da árvore, cutucava alguns frutos com bambus, descascava e cortava fatias deliciosas, que dava na nossa boca. Os fiapos nos dentes não incomodavam nada.

Hoje a mangueira já não existe mais, construíram uma casa em cima dela. A tia Áurea segue firme e forte, mas perdeu muito do vigor de outrora, aquela coisa meio “noviça rebelde” que encantava a molecada. Sempre que retorno à cidade converso com ela sobre a nossa infância e esses momentos felizes. Ela ri muito. É gostoso voltar no tempo junto com a tia, reparar seus olhos nostálgicos e observá-la no eterno vaivém da cadeira de balanço.

Sinal verde para os animais


Se a presença de animais em condomínios já era motivo de confusão, a partir de agora a polêmica promete se instalar de vez. Entrou em vigor, no dia 3 de abril, a Lei municipal 4.785/2008, do vereador Átila Nunes Neto, que garante a habitação de animais domésticos nas unidades residenciais e apartamentos cariocas. Os dispositivos valem tanto para proprietários quanto para inquilinos.

Embora faça a alegria de muitos moradores, a Lei não é totalmente permissiva. De acordo com o artigo 2º, a circulação dos animais nas áreas comuns do condomínio ficará a critério de decisão da maioria absoluta dos condôminos, em reunião de assembléia geral. A entrada e saída dos bichinhos no prédio, entretanto, não poderá ser proibida.

O proprietário precisa ser maior de 18 anos e o animal deverá ser cadastrado no condomínio, com registro oficial expedido por veterinário competente ou pelo Centro de Controle de Zoonoses. Ao transitar em áreas comuns, o bicho deverá estar acompanhado de pessoa responsável, com fácil identificação por placas ou coleiras (o animal, não o dono).

Em sua justificativa, o vereador afirma que a presença dos animais não fere os direitos de vizinhança e que o possuidor está exercendo o seu mais legítimo direito de propriedade. “Qualquer proibição desses animais nas residências de seus respectivos donos fere os princípios constitucionais brasileiros e atenta contra os direitos dos animais”, conclui o Átila Nunes Neto.
O vereador bem que podia ter incluído na Lei regras de boa educação para os donos de animais.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Só pra começar

Eu nunca achei que fosse ter um blog, mas aqui está ele. E agora, como levar essa aventura adiante? Mais informações no próximo post.